Estudo Cristão: Conhecendo a Deus !








“O meu povo é destruído porque não me conhece, e a culpa é toda de vocês, sacerdotes, porque se recusam a me conhecer.  Por isso Eu não os reconhecerei como sacerdotes, já que se esqueceram das minhas Leis, Eu me esquecerei de abençoar seus filhos.” Oséias 4.6.

Fábio de Melo em seu livro “Quem me roubou de mim?” fala do seqüestro da subjetividade e o desafio de ser pessoa.  Vivemos numa sociedade em que muitos desejam ser o que todos são no momento.  Assistimos indivíduos sendo do mesmo jeito.  Muitas vezes do jeito que os outros querem, detonando desta forma com a subjetividade de cada um.

A vida está cheia de escolhas.  O que tem mais peso para nós, as escolhas de um individuo ou as crenças que ele diz possuir?  Se dissermos acreditar em uma coisa, mas nossas escolhas mostram algo bem diferente, podemos observar os valores refletidos nas escolhas.  As escolhas refletem os valores de uma pessoa; as palavras refletem aquilo que o individuo quer que todos acreditem a respeito de seus valores – ou os valores que ele gostaria de ter.

Somos seres autônomos, temos a capacidade de tomar nossas próprias decisões, mas a partir da interação e diálogo com pontos de vistas diferentes e diversos dos nossos.  Um diálogo que implica ouvir a outros, escutar e se deixar preencher ou não com a palavra, com a idéia, com a perspectiva do outro.

Nossos corpos carregam memórias, memórias que são reveladas nos passos, comportamentos, nas andanças.  Observando o cotidiano podemos dizer que a dimensão corporal, para além dos modelos e padrões estéticos hegemônicos, é importante.  Sem corpos não somos existentes, vivos, acontecimentos.

O movimento que concretiza a ação, que realiza a mudança, a criação e o contato que não dá para se trabalhar com crescimento espiritual apenas em movimentos, modismos.  Nós temos um cérebro, uma mente, produzimos palavras, poesia, virtualidade, distanciamentos.  Mas temos também um corpo que tem cheiro, ou cheiros, cor, texturas, odores, sabores, expressões corporais, mas acima de tudo, temos uma alma.  E esta percepção só acontece realmente com o contato, no encontro com o Autor da vida e com o próximo.

Edgar Morin diz que todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana.

O judaísmo cristão diz que somos descendentes de Babel, descendentes de um povo que falava a mesma língua e que tentou chegar aos céus através de uma torre, desafiando Deus.  Castigados por Deus, homens e mulheres perderam a harmonia e foram condenados à multiplicidade, a falarem várias línguas e a se desencontrarem na Terra.

Há uma lenda africana sobre a criação do ser humano e do mundo, que diz que somos resultantes da ação de um Deus e fomos criados em meio a soluços de satisfação.  A lenda fala de um Deus que teve tanta satisfação na criação do homem que chegou a soluçar.  Segundo a lenda, a cada momento um ser foi criado e nunca um era igual ao outro.  Logo, somos seres diversos, singulares e irregulares e se somos todos diferentes, que nos reconheçamos a todos como uma criação divina.

Enfim, como prêmio, contingência ou como castigo, somos fadados à multiplicidade e a História nos coloca diante do grande desafio de aceitar a diferença e aprendermos com respeito, sabedoria, humildade, quiçá com amor, a lidar com elas em todos os espaços, sobretudo, o que é o nosso caso, nas igrejas.  Fortalecendo nossa autonomia, nossa capacidade de ler e aprender no/ com o mundo, assumirmos a nossa responsabilidade em falar no e para o mundo nossas experiências na busca de sermos adoradores que adoram em espírito e em verdade, conscientes, críticos (analíticos) criativos, dançantes e, assim, contar essas experiências, esse exercício, sair/transcender os muros das nossas instituições cristas e não cristas no sentido de compartilhar nossas ações com outros coletivos e fortalecer a complexa rede de produção de conhecimento de Deus e da humanidade.

O ser humano tende a buscar seus modelos em outros indivíduos do mesmo gênero, de preferência na mesma crença.  Quais são os modelos que os cristãos têm para observar?  Como a igreja vem contribuindo para a divulgação destes modelos?  Com certeza o bom preparo dos cristãos para o desenvolvimento de outros em muito poderá contribuir para a divulgação de um modelo.

O povo de Deus tem sido destruído porque não O conhece, e Ele diz que a responsabilidade é nossa, porque nos recusamos a conhecê-Lo.  Não ansiamos por adorá-Lo em espírito e em verdade, mas de forma extravagante, ou seja, de forma estulta, insana, insensata, dissipadora, excêntrica, (consulte o dicionário e veja o significado da palavra extravagante).

Que não sejamos uma cópia, à repetição alienada e alienante, à acomodação.  Precisamos transgredir este conhecer, não nos contentando mais com o “já sei”, “já ouvi”, “já vi”, “não é novo”.  Em todas as circunstancias da vida podemos conhecer/aprender, mas temos que transgredir o nosso convidativo imobilismo, enraizamento ao mesmismo.  E finalmente inaugurar formas/maneiras bíblicas, possibilidades de expressar a potência de vida, vida abundante.  Criar nossas perguntas e nossas respostas coletivas para os desafios de um mundo que se reconhece multicultural, um povo que espera, conforme a promessa Dele: novos céus e nova terra, onde habitará a justiça.

Por Regina Lopes

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Esposa, mãe, serva e amante de Deus. Trabalha juntamente com seu esposo pastoreando e ministrando vidas nas quais Deus os confia! Tem como foco principal a edificação do Corpo de Cristo para que todos nós alcancemos a Plenitude de Cristo (Efésios 4:13) Por isso criou Estudos Cristãos e dedica-se a ele com muito amor e carinho.

1 COMENTÁRIO

  1. Que verdade e ao mesmo tempo que vergonha! Que o Espírito Santo me ensine urgentemente a sair da zona de comodismo para expressar o Senhor. Deus a abençoe por despertar-me para esta vital necessidade e continue a inspira-la a alcansar outras pessoas.

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